CÓDIGO CIVIL
Lei Nº 10.406, de 10 de Janeiro de 2002.
Artigo 1707
Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora.

 
 
 
Resumo Jurídico

Artigo 1707 do Código Civil: A Proteção dos Bens do Cônjuge Ausente

Este artigo do Código Civil estabelece uma importante salvaguarda para o cônjuge que se encontra ausente, garantindo que seus bens não sejam alienados ou onerados sem a devida autorização judicial e a participação do curador.

O que o artigo 1707 diz em essência?

Ele proíbe que os bens do cônjuge ausente sejam vendidos, doados, hipotecados ou de qualquer outra forma comprometidos, sem que haja uma autorização prévia e expressa do juiz. Além disso, a participação do curador, nomeado para administrar os bens do ausente, é indispensável nesse processo.

Por que essa proteção é importante?

A ausência de uma pessoa gera uma incerteza sobre seu paradeiro e seu estado de saúde. Nesse contexto, o cônjuge remanescente pode enfrentar dificuldades financeiras ou desejar realizar transações com os bens do casal. No entanto, para evitar que o patrimônio do ausente seja dilapidado ou utilizado de forma inadequada, o legislador criou essa norma protetiva.

A exigência da autorização judicial visa assegurar que qualquer movimentação de bens seja feita em benefício do ausente e de seus herdeiros, protegendo seus interesses. O curador, por sua vez, atua como um representante legal do ausente, fiscalizando e garantindo que as decisões tomadas sejam as mais adequadas.

Em termos práticos, o que isso significa?

Se um cônjuge desaparecer e for declarado ausente, o cônjuge que permaneceu não poderá, por conta própria:

  • Vender um imóvel que seja de propriedade do casal.
  • Doar um bem (como um carro ou joias) que pertença ao patrimônio do ausente.
  • Hipoteca um bem para obter um empréstimo.
  • Realizar qualquer outra transação que diminua o valor ou modifique a propriedade dos bens do cônjuge ausente.

Para que qualquer uma dessas ações seja legalmente válida, o cônjuge remanescente deverá ingressar com uma ação judicial pedindo autorização ao juiz. Será necessário apresentar justificativas claras para a necessidade da transação e comprovar que ela não prejudicará os interesses do ausente. O curador também será ouvido e poderá apresentar sua opinião sobre o pedido.

Em resumo:

O artigo 1707 do Código Civil é um instrumento legal fundamental para a proteção do patrimônio do cônjuge ausente, garantindo que seus bens sejam administrados com cautela e responsabilidade, sempre sob a supervisão do Poder Judiciário e a atuação de um curador. Essa norma busca equilibrar a necessidade de dar seguimento à vida e aos negócios do cônjuge remanescente com o dever de salvaguardar os direitos e interesses do parceiro desaparecido.